Olá. Meu nome é Marylou Evers e moro em Oisterwijk, nos Países Baixos. Não sou nutricionista, não sou coach de vida e não tenho nenhuma certificação especial. Sou apenas alguém que passou muitos anos correndo atrás de prazos e agendas lotadas até perceber que estava vivendo no automático.
Cresci em uma família onde o trabalho era valorizado e o tempo livre era algo que “se ganhava” depois de cumprir as obrigações. Estudei design e entrei no mundo corporativo. Reuniões, deadlines, viagens frequentes para feiras e clientes. Acordava pensando no que precisava entregar e dormia revendo mentalmente a lista do dia seguinte. Comia o que aparecia, ignorava sinais de cansaço e achava que estava “sendo produtiva”.
O momento em que algo mudou
Em 2021, durante uma pausa curta, fui a Portugal pela primeira vez. Fiquei em uma casa pequena perto do mar, sem Wi-Fi estável e sem agenda. Acordava com o som das ondas, preparava café devagar e saía para caminhar sem destino. Comia pão fresco com azeite e queijo local. Não era nada “especial” — era só o ritmo natural das coisas.
Quando voltei para os Países Baixos, tentei trazer um pouco daquele ritmo para casa. Não mudei tudo de uma vez. Comecei com gestos muito pequenos: deixei de checar e-mails logo ao acordar. Comecei a preparar uma refeição simples com vegetais que já tinha na geladeira. Passei a fazer uma pausa curta de respiração entre tarefas.
Não foi uma transformação dramática. Foi mais como ajustar o volume da vida. Percebi que não precisava de grandes planos ou metas ambiciosas. Bastava repetir gestos pequenos que faziam sentido para mim naquele momento.
O que aprendi com o tempo
Com os anos, entendi que o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. O que funciona para mim hoje pode mudar daqui a alguns meses. Por isso não dou conselhos universais. Escrevo sobre o que experimentei, o que ajustei e o que ainda continuo testando na minha própria vida.
Por exemplo, a ideia de “hábitos simples para começar o dia” não veio de um livro. Veio de perceber que, quando eu abria a janela e respirava um pouco antes de pegar o telefone, o resto do dia parecia um pouco mais organizado. Não era sobre “ser melhor”. Era sobre ter um início mais suave.
O mesmo vale para as rotinas de descanso. Depois de anos ignorando o cansaço, comecei a criar pequenos sinais de que o dia estava terminando: apagar as luzes fortes, preparar uma bebida quente sem tela, escrever três coisas que aconteceram. Nada dramático, mas ajudava a separar o trabalho do sono.
Por que escrevo aqui
Em 2024, comecei a anotar essas pequenas descobertas em um caderno. Quando uma amiga perguntou se eu poderia compartilhar algumas ideias, resolvi colocar online. A Merrain nasceu assim: um espaço onde falo de forma direta sobre o que funciona (ou não) na minha rotina. Sem promessas grandiosas, sem julgamentos.
Não tenho equipe, não vendo nada e não pretendo transformar isso em um negócio. É só um lugar onde registro o que aprendo vivendo. Se algo aqui ressoar com você, ótimo. Se não, tudo bem também.
Hoje divido meu tempo entre o trabalho em design (em ritmo mais calmo) e esses momentos de escrita. Gosto de cozinhar coisas simples, de caminhar pela floresta perto de casa e de experimentar novas combinações na cozinha. Às vezes volto a Portugal, não para fugir, mas para lembrar como as coisas simples podem ser suficientes.
Se quiser conversar sobre qualquer coisa que leu aqui, pode escrever. Respondo quando posso. Obrigada por ler até aqui.
— Marylou Evers
Oisterwijk, Países Baixos · Julho 2026